Críticas

“Brutalidade”, de Jules Dassin, com BURT LANCASTER

Brutalidade (Brute Force – 1947)

Baseado num artigo de jornal e com roteiro de Richard Brooks, conta a história de um motim na prisão de Westgate. A ação é centrada na vida de seis homens que vivem na mesma cela. O líder do grupo é o gângster Joe Collins (Burt Lancaster). Eles se rebelam por causa das atitudes sádicas do Capitão Munsey (Hume Cronyn), o chefe da guarda da prisão.

Excelente produção dirigida por Jules Dassin em seu período pós-guerra, antes de comandar “Rififi”, que continua entretendo da mesma forma que em seu dia de estreia, funcionando como um eficiente suspense e um pioneiro “filme de prisão”. A forma franca como a violência é exibida, especialmente em seu terceiro ato, chocou o público e a crítica da época, porém a mensagem que o roteiro transmite é mais profunda.

A frase que fecha a obra: “ninguém realmente escapa”, complementa as cenas que são mostradas em flashback, com a vida pregressa de cada prisioneiro da cela R17, evidenciando as mulheres de suas vidas, deixando claro que não existe fuga para aqueles homens. Eles nunca serão os mesmos, nunca serão vistos pela sociedade como outrora. Esta crítica ao sistema carcerário, que não reabilita os prisioneiros na sociedade, torna-se o elemento que se mantém na memória dias após a sessão.

Burt Lancaster impõe com sua rochosa presença física um tipo clássico, estereotipado, mas quem surpreende positivamente é Hume Cronyn (os mais jovens o reconhecerão como um dos velhinhos no clássico dos anos 80: “Cocoon”), vivendo um impiedoso chefe da segurança, que escuta Wagner (referência sutil à Hitler?) enquanto tortura um dos presos.

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Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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