Críticas

“Sombras do Mal”, de Jules Dassin, com RICHARD WIDMARK

Sombras do Mal (Night and The City – 1950)

Harry Fabian está preparando um golpe que pode lhe garantir o futuro em Londres. Ele acabou de conhecer um dos mais famosos lutadores de luta-livre do mundo, e espera, com ele, alterar o resultado de algumas lutas para faturar alto com as apostas.

Harry, vivido pelo sempre competente Richard Widmark, inicia o filme sendo perseguido, numa correria desesperada pelas ruas de Londres. Graças ao ângulo da câmera, mérito da fotografia de Mutz Greenbaum, parece que até mesmo a sombra dele está querendo se desassociar de sua patética figura. Esta é a essência do personagem, alguém que foge de qualquer responsabilidade, um golpista que ambiciona apenas ascender socialmente, sem um mínimo senso de decência ou integridade moral.

Ele está inserido em um cenário em que não há vencedores, um pesadelo urbano expressionista onde todos estão dispostos a utilizar os meios mais baixos, uma visão amarga da sociedade. Gene Tierney, que vive a namorada, possivelmente o único foco de luz nesse cenário sombrio, foi contratada para o filme como um pedido especial de Darryl Zanuck, que estava preocupado dela ser consumida pela autocomiseração, já que havia passado por sérios problemas pessoais.

Ainda que, dentro da filmografia de Jules Dassin, este filme seja eclipsado por “Rififi”, realizado cinco anos depois, “Sombras do Mal” é um produto superior, com uma aura brutal de pessimismo e desilusão, um reflexo do contexto em que se encontrava o diretor, inserido na Lista Negra de Hollywood, exilado por se negar a delatar colegas.

Não é apenas um dos mais importantes filmes noir, mas sim, um dos melhores filmes da história do cinema.

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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