O meu usual silêncio na época do Oscar pode surpreender boa parte do público, no Brasil a imagem do crítico de cinema é diretamente associada à cerimônia, mas há um motivo lógico por trás da minha atitude: eu respeito e amo demais esta arte.

Como eu SEMPRE repito, desde os meus primeiros textos como profissional da crítica em 2008, Oscar não é parâmetro de qualidade, apenas uma cerimônia de premiação televisiva que necessita desesperadamente de bons índices de audiência, movida puramente por lobby e politicagem, enfim, um jogo (cada vez mais sujo) que serve para movimentar os salários na indústria.

Até os anos 90, ainda havia algum mérito no evento enquanto celebração da memória cultural, mas, como quase tudo neste mundo doentio atual, o propósito se perdeu absurdamente.

É a época do ano em que aquela pessoa que enxerga cinema apenas como passatempo pueril aproveita para posar de interessada nas redes sociais, participar de bolão, fazer piada com as gafes e analisar os vestidos do tapete vermelho, atenção que se esvai antes mesmo do evento terminar.

Numa analogia simples, o interesse do brasileiro por cinema se exibe na época do Oscar exatamente como o interesse do povo por literatura na Bienal do Livro, pura sinalização farsesca, o desprezo retorna segundos após o término da festa.

Eu vivo cinema, vivo literatura, procuro estimular em meu público esta dedicação genuína, o amor pelo estudo, o respeito pela arte.



Viva você também este sonho...

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